A Consulta de Naturopatia e a Síndrome da Fadiga Crónica

A síndrome da fadiga crónica é uma desordem complexa caracterizada por fadiga extrema que não pode ser explicada através de uma condição médica subjacente, sendo que a fadiga pode piorar com a atividade física ou mental, mas não melhora com o descanso.

A causa da síndrome da fadiga crónica é desconhecida, embora existam muitas teorias que vão desde infeções virais até stress psicológico, com alguns especialistas a acreditam que a síndrome da fadiga crónica pode resultar de uma combinação de fatores.

A síndrome da fadiga crónica tem oito sinais e sintomas oficiais, além do sintoma principal que dá o nome à condição:

– Fadiga

– Perda de memória ou concentração

– Dor de garganta

– Gânglios linfáticos inchados no pescoço ou axilas

– Dor muscular inexplicada

 – Dor que se move de uma articulação para outra sem inchaço ou vermelhidão

– Dor de cabeça

– Sono pouco reparador   

– Exaustão extrema que dura mais de 24 horas após o exercício físico ou mental

A Naturopatia através das suas diferentes valências e modalidades terapêuticas, nomeadamente o Aconselhamento Dietético Naturopático, a Fitoterapia, a Aromaterapia, a Suplementação Ortomolecular, a Homeopatia, ou as Recomendações Essenciais de Saúde e Bem-estar, pode constituir-se como alternativa viável no tratamento da síndrome da fadiga crónica.

Aconselhamento Dietético Naturopático

Segundo Thozhukat Sathyapalan et al. 2010, o objetivo do presente ensaio clínico randomizado, duplo cego e cruzado, foi estudar o efeito dos polifenóis em indivíduos com síndrome da fadiga crónica.

Indivíduos com síndrome da fadiga crónica severa, avaliada pela Escala de Fadiga Chalder, foram divididos entre o grupo alto teor de polifenóis e baixo teor de polifenóis, durante 8 semanas.

Polifenóis

Sendo observada uma melhoria significativa no grupo alto teor de polifenóis, tanto na pontuação da Escala de Fadiga Chalder, como na Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão.

Sendo assim concluído que o alto teor de polifenóis, pode melhorar os sintomas em indivíduos com síndrome da fadiga crónica.

Fitoterapia

Segundo J H Cho et al. 2009, o objetivo do presente estudo foi investigar os efeitos anti-fadiga da combinação dos extratos de Astragalus membranaceus e Salvia miltiorrhiza, usada para tratar pacientes com fadiga crónica.

Um ensaio clínico randomizado, controlado e duplo-cego foi realizado com 36 adultos com fadiga crónica.

Fitoterapia

Os participantes do estudo foram divididos entre o grupo controle e os grupos de baixa e alta dose da combinação dos extratos (3 ou 6g respetivamente), sendo monitorados durante 4 semanas.

Tendo sido observado que a administração da combinação dos extratos de Astragalus membranaceus e Salvia miltiorrhiza (3g por dia) diminuiu significativamente a gravidade da fadiga em comparação com o grupo controle (p<0,05).

Assim, foi concluído que a combinação de Astragalus membranaceus e Salvia miltiorrhiza diminui significativamente a fadiga na síndrome da fadiga crónica.

Suplementação Ortomolecular

Segundo Sanae Fukuda et al. 2016, o objetivo do presente estudo randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, foi avaliar o benefício da suplementação oral de ubiquinol-10 em pacientes com síndrome da fadiga crónica.

Suplementação Ortomolecular

Quarenta e três pacientes com síndrome da fadiga crónica, foram aleatoriamente designados para receber ubiquinol-10 (150 mg/dia) ou placebo diariamente durante 12 semanas, sendo que um total de 31 pacientes (N = 17 no grupo ubiquinol e 14 no grupo placebo) completaram o estudo.

Com os resultados observados a indicarem que a suplementação com ubiquinol-10 durante 12 semanas, é eficaz a melhorar vários sintomas da síndrome da fadiga crónica.

Homeopatia

Segundo Elaine Weatherley-Jones et al. 2004, o objetivo do presente ensaio clínico, foi avaliar o tratamento homeopático na redução dos sintomas subjetivos da síndrome da fadiga crónica.

Usando um método triplo-cego, os pacientes foram distribuídos aleatoriamente para o grupo homeopatia ou placebo.

Para isso, foram recrutados 103 pacientes que cumpriam os critérios de Oxford para síndrome da fadiga crónica, tendo estes sido acompanhados por um homeopata durante 6 meses.

frascos de homeopatia

Os principais métodos de avaliação foram o Inventário de Fadiga Multidimensional, a Escala de Impacto de Fadiga e o Perfil de Limitações Funcionais.

92 pacientes completaram o ensaio clínico (47 do grupo homeopatia e 45 do grupo placebo).

Sendo observado que mais pessoas do grupo homeopatia, apresentaram melhoria clínica em todos os principais resultados.

Assim, foi concluído haver evidências discretas, mas inequívocas, de que o tratamento homeopático é superior ao placebo.

Recomendações Essenciais de Saúde e Bem-estar

Segundo Takakazu Oka et al. 2014, pacientes com síndrome de fadiga crónica, muitas vezes queixam-se de fadiga persistente, mesmo após recorrerem às terapias convencionais.

O objetivo do presente estudo randomizado e controlado, foi investigar a viabilidade e eficácia do Yoga isométrico, em pacientes com síndrome de fadiga crónica resistente aos tratamentos convencionais.

Com essa finalidade, foram recrutados 30 pacientes com síndrome de fadiga crónica, que não apresentaram melhoria satisfatória após receberem terapia convencional durante, pelo menos, seis meses.

Tendo estes sido aleatoriamente divididos em dois grupos e tratados com farmacoterapia convencional (grupo controle n = 15), ou terapia convencional juntamente com prática de Yoga isométrico (grupo Yoga n = 15), durante aproximadamente dois meses.

O efeito de curto prazo do Yoga isométrico na fadiga, foi avaliado através do questionário Profile of Mood Status (POMS) imediatamente antes e após cada sessão.

Yoga

O efeito a longo prazo do Yoga isométrico na fadiga, foi avaliado através do questionário Chalder’s Fatigue Scale (FS) a ambos os grupos antes e após a intervenção.

Todos os pacientes completaram a intervenção.

Sendo que as pontuações médias de fadiga avaliadas através do questionário Profile of Mood Status, diminuíram significativamente após cada sessão de Yoga.

A pontuação do questionário Chalder’s Fatigue Scale, também diminuiu significativamente no grupo Yoga, mas não no grupo de controle.

Além da melhora da fadiga, dois pacientes com síndrome de fadiga crónica e fibromialgia do grupo de Yoga, também relataram alívio da dor.

Assim, foi concluído que o Yoga isométrico, como terapia complementar, é viável e bem-sucedido no alívio da fadiga e dor em pacientes com síndrome de fadiga crónica resistente à terapia convencional.

Bibliografia:

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Myelophil, an extract mix of Astragali Radix and Salviae Radix, ameliorates chronic fatigue: a randomised, double-blind, controlled pilot study https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0965229908001404?via%3Dihub

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Isometric yoga improves the fatigue and pain of patients with chronic fatigue syndrome who are resistant to conventional therapy: a randomized, controlled trial https://bpsmedicine.biomedcentral.com/articles/10.1186/s13030-014-0027-8